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sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Quase metade dos pacientes falta em consultas e exames no SUS
Problema desafia prefeituras a criar estratégias, como diálogo via telefone até overbooking. Foto: Creative Commons/EBC
O alto índice de não comparecimento dos pacientes em consultas e exames na rede pública de Saúde do Grande ABC tem não só agravado a fila de espera pelos serviços como desafiado gestores a traçar estratégias para solucionar o problema. Levantamento feito pelo Diário junto às prefeituras mostra que praticamente metade dos usuários faltou em procedimentos agendados no primeiro semestre em quatro cidades – Santo André, São Bernardo, São Caetano e Mauá.

A ausência de pacientes representa 46,65% dos 670.189 agendamentos feitos via SUS (Sistema Único de Saúde) – foram 312.622 os usuários que faltaram sem aviso prévio a consultas e exames (veja tabela ao lado).

Na tentativa de minimizar o problema, as administrações municipais têm adotado estratégias de intensificar a comunicação com os munícipes via telefone ou até mesmo o overbooking (excesso de reservas, em português).

A situação mais crítica é a de São Bernardo, onde os pacientes faltaram a mais da metade dos agendamentos – índice de 51,19% entre 435.251 procedimentos. A estratégia adotada pela administração para reverter o cenário foi criar núcleos de regulação das vagas com a finalidade de potencializar a comunicação com pacientes. Também está em teste, na UBS (Unidade Básica de Saúde) Planalto, projeto piloto de envio de SMS (mensagem de texto no celular) para lembrar os pacientes sobre os atendimentos.

Ainda em São Bernardo, há estudo para permitir que a data e o horário de agendamento de procedimentos sejam escolhidos pelo paciente. O maior número de faltas foi registrado nas consultas com cirurgião-dentista. Já em relação aos exames, ultrassonografia teve o maior número de pacientes ausentes.

OVERBOOKING

Em Santo André, as faltas a exames e consultas chegaram a 42,57% do total de agendamentos no primeiro semestre. Como forma de contornar o problema, a administração adotou o overbooking, que consiste em fazer quantidade maior de agendamentos já contando com um número médio de faltas. “Mesmo se comparecerem os pacientes a mais marcados, por exemplo, todos serão atendidos. Essa foi uma medida necessária para diminuir a perda de vagas por conta das faltas”, explica o assessor técnico de gestão estratégica da Prefeitura, Victor Oliveira Chiavegato. As consultas com neurologista registraram o maior número de ausências em Santo André e, entre os exames, o ultrassom de mama foi o mais ignorado.

Mauá é a cidade que apresenta a menor taxa de consultas perdidas, 26,51%. A Prefeitura conta com sistema de call center que, entre outras funções, faz a confirmação de horário dos procedimentos junto aos usuários.

Ribeirão Pires não informou o número exato de faltas, mas estima que um quarto dos agendamentos seja perdido devido às faltas. A gestão aposta no diálogo e na conscientização da população no momento dos agendamentos.

São Caetano registrou taxa de 41,8% de absenteísmo, sendo a ultrassonografia mamaria bilateral o procedimento com maior número de ausências. Diadema e Rio Grande da Serra não responderam até o fechamento desta edição.

Estado tem 35% de taxa de não comparecimento

Além das redes públicas municipais, o Grande ABC conta com dois AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades), em Santo André e em Mauá, mantidos pelo governo do Estado. De acordo com a Secretaria do Estado da Saúde, os equipamentos realizaram, no primeiro semestre, 56 mil consultas médicas, cerca de 5.000 cirurgias e 18 mil exames.

Nos primeiros seis meses do ano, foi registrada média de 35% de absenteísmo nas primeiras consultas, que são agendadas pelos municípios. Já nas interconsultas e retornos, o percentual cai para 18% e 22%, respectivamente.

Ainda de acordo com o governo estadual, “com a finalidade de otimizar os fluxos de agendamento e de assistência à população, os AMEs estão mobilizados para fortalecer estratégias de integração e apoio às equipes municipais, de forma a estreitar o diálogo com essas unidades e discutir, principalmente, os índices de ausência de pacientes (absenteísmo) nos serviços ofertados para a rede (primeiras consultas e exames externos)”.
Por: Aline Melo - Diário do Grande ABC