MAUÁ NEWS
NOTICIÁRIO DA CIDADE DE MAUÁ E REGIÃO
NOTÍCIA ANTERIOR
Passarela em Mauá está há mais de um mês sem luz
PRÓXIMA NOTÍCIA
Peça inspirada no romance Vidas Secas chega ao SESI Mauá
quinta-feira, 9 de agosto de 2018
Câmara de Mauá vira a página sobre afastamento de Atila
Rei morto, rei posto. Esse era o clima no plenário da Câmara de Mauá na sessão de ontem, a primeira após o fim do recesso parlamentar. Antes apoiadores ferrenhos do hoje prefeito afastado Atila Jacomussi (PSB), os vereadores evitaram sequer citar o nome do socialista nos discursos, dando indícios claros de que estão dispostos a integrar a base de sustentação do governo da prefeita interina Alaíde Damo (MDB).

Enquanto o grupo de Atila sustenta que o socialista deve voltar ao cargo para o qual foi eleito em 2016 e o prefeito afastado dispara críticas veladas à gestão Alaíde nas redes sociais, o Legislativo mauaense mostra sinais de que já superou a instabilidade criada após a PF (Polícia Federal) deflagar a Operação Prato Feito, que culminou com a prisão de Atila em flagrante no dia 9 de maio – foi solto cerca de um mês depois. Nenhum vereador foi à tribuna defender o retorno de Atila e poucos criticaram Alaíde. Por motivos evidentes, apenas o presidente da Câmara, Admir Jacomussi (PRP), pai do socialista, falou do filho na sessão de ontem. Como não havia nenhum projeto de autoria do governo interino na ordem do dia, não foi possível medir a governabilidade da emedebista na prática. O ambiente era tão tranquilo para o governo que o interlocutor de Alaíde, o secretário Antônio Carlos de Lima (PRTB, Governo), deixou a sessão antes mesmo de os trabalhos encerrarem.

Candidato a deputado estadual, Ricardinho da Enfermagem (PTB) foi o único que disparou críticas diretas ao governo Alaíde. O petebista atacou a escolha do novo secretário de Saúde do município, o advogado Marcelo Lima Barcellos de Mello, e chegou a sugerir no microfone, inclusive, a “intervenção no Executivo”. “Nós temos de avaliar”, respondeu Admir, ao citar que essa possibilidade é respaldada pela lei, nos poucos instantes de mudança na temperatura.

Nem os vereadores Fernando Rubinelli (PDT) e Professor Betinho (DC), que desempenharam o papel de líder do governo Atila na Casa em períodos distintos, quiseram defender publicamente a volta do socialista. Questionado se o afastamento de Atila já é página virada, Rubinelli desconversou. “A Câmara está aguardando pacientemente a decisão da Justiça”, disse.

Atila tenta derrubar no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) o veto ao retorno do mandato, estipulado logo após conquistar a liberdade no STF (Supremo Tribunal Federal). Reservadamente, os vereadores não confiam nesta possibilidade.
Por: Júnior Carvalho - Diário do Grande ABC