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terça-feira, 7 de agosto de 2018
Mapeamento sobre árvores na região ainda é plano na gaveta
Estudo contribui para planejamento urbano e preservação , afirma especialista. Foto: André Henriques/DGABC
Quantas árvores centenárias existem no Grande ABC? Quais são as espécies mais comuns na região e quantas espécimes existem em cada município? Essas e outras perguntas podem ser respondidas por estudos e censos arbóreos, e as informações ajudariam as administrações municipais a planejar o desenvolvimento das cidades, a aumentar a preservação do meio ambiente, melhorar a qualidade do ar e o controle da temperatura em áreas urbanas. Na região, nenhuma cidade tem levantamentos completos, mas alguns municípios trabalham na tarefa.

O botânico e professor de Ecologia da UFABC (Universidade Federal do ABC) Marcio Werneck explica que esse tipo de pesquisa é de fundamental importância, até mesmo por questões de segurança. Em 2011, dentro do Parque Celso Daniel, em Santo André, o galho de uma figueira centenária e tombada pelo patrimônio histórico caiu e atingiu a idosa Leda da Silva Maubrigades, então com 68 anos, que não resistiu aos ferimentos e morreu. “Com um levantamento, é possível evitar acidentes como esse”, destaca. A árvore foi podada após o incidente.

Segundo o especialista, o Grande ABC conta com muitas espécimes consideradas exóticas, ou seja, que não são nativas da região. “A grande maioria foi plantada, mas foram se reproduzindo. São poucas espécies, poucos tipos diferentes, mas muitas espécimes, muitos exemplares. Algumas produzem frutos que não atraem a fauna, ou quando atraem, especialmente aves, essas não podem se alimentar desses frutos”, explica o especialista.

Werneck relata que esse fenômeno é conhecido como “fraqueza no serviço ecossistêmico”, porque está tudo interligado. Seria interessante um grande corredor de árvores, capaz de atrair aves que se alimentam de seus frutos, como algumas espécies de morcegos, e espalham as sementes; pássaros que se alimentam de insetos também podem transitar por ali. “Sem isso, existe um desequilíbrio”, comenta.

O professor de Ecologia aponta, ainda, que sem um conhecimento sobre as características de cada espécie de árvore, muitos exemplares foram plantados demasiadamente próximos uns dos outros, o que favorece a incidência de parasitas e pragas. “Isso pode reduzir bastante a sobrevida dos exemplares. Uma árvore doente sequestra menos gás carbônico do ambiente, atrai menos fauna, perde seu potencial de refrescar o ambiente e reduzir as temperaturas. Por tudo isso, a arborização correta em áreas urbanas é tão importante”, finaliza.

Municípios planejam inventários arbóreos

As cidades da região ainda não contam com levantamentos completos sobre as árvores, mas algumas atualizam estudos existentes e outras planejam inventários para o futuro. O professor de Ecologia da UFABC (Universidade Federal do ABC) Marcio Werneck classifica como positivas as iniciativas. “Acredito que apenas Nova York possua levantamento completo. Essa medida poderia, inclusive, ser feita de maneira regional, talvez por intermédio do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, incluindo até mesmo São Paulo”, avalia.

Santo André informou que não existe levantamento das espécies por idade, mas é sabido que a maioria foi plantada nas décadas de 1970 e 1980. “Está em desenvolvimento plano de manejo, com diagnóstico que inclua as espécies mais apropriadas para o plantio, além de inventário”, diz nota. Alfeneiros, uvas japonesas e sibipurunas são as espécies mais comuns. Já foram catalogadas 3.200 espécimes das cerca de 66 mil que existem na cidade. A única árvore que era tombada (impedida de ser cortada por lei) era a figueira centenária do Parque Prefeito Celso Daniel, que atualmente está morta.

Em São Bernardo, as espécies mais comuns são alfeneiros, ficus, ipês, sibipirunas, tipuanas, pata de vaca e schinus, e os exemplares mais antigos têm, em média, 70 anos. Está em fase de planejamento o Plano Diretor de Arborização. São tombados o jatobá da Avenida Senador Vergueiro e a árvore dos carvoeiros, no km 24 da Via Anchieta, além de seis áreas verdes na cidade.

São Caetano está revendo e ampliando o Plano Diretor de Arborização. Mauá tem em curso inventário de árvores em áreas públicas e o plano de manejo começa após o levantamento. A paineira, localizada na Praça da Paineira, no Centro, é tombada.

Ribeirão Pires instituiu em 2010 o Plano Municipal de Arborização Urbana, instrumento para implantação da política de plantio, preservação, manejo e expansão da arborização na cidade, que abarca diversas iniciativas de planejamento, prevenção e controle da expansão arbórea. O município conta com 43 espécimes tombados, entre sibipiruna, pau-ferro, quaresmeira, araribá, ficus, jerivá, jacarandá, araucária e paineira, muitas delas no Centro da cidade, na região da Vila do Doce. O município pretende, futuramente, fazer levantamento de todas as espécies. As outras cidades não responderam.
Por: Aline Melo - Diário do Grande ABC