MAUÁ NEWS
NOTICIÁRIO DA CIDADE DE MAUÁ E REGIÃO
NOTÍCIA ANTERIOR
Alaíde nomeia três aliados no secretariado de Mauá e pede pacificação dentro do governo
PRÓXIMA NOTÍCIA
GCM é morto na volta do trabalho para casa em Mauá
terça-feira, 5 de junho de 2018
Sem Atila, Vanessa toma as rédeas na Prefeitura de Mauá
Prisão do prefeito vira chance para ex-deputada mostrar que conduz vida pública com as próprias pernas. Foto: Ricardo Trida/DGABC
A prisão do prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), virou, de certo modo, oportunidade que Vanessa Damo (MDB) precisava para mostrar à classe política de Mauá que tem controle da própria carreira pública. Nas últimas semanas, com a posse de sua mãe, Alaíde Damo (MDB), para comandar interinamente a administração, Vanessa não só se transformou na conselheira de Alaíde, como liderou as principais discussões de um governo em crise.

Deputada estadual entre 2007 e 2016 – antes foi vereadora de Mauá de 2005 e 2006 –, Vanessa era taxada de viver à sombra de José Carlos Orosco Júnior (PDT), com quem foi casada por dez anos. Em janeiro, os dois se separaram em meio a acusações de agressão e vazamento de vídeos íntimos. Nas redes sociais, a emedebista celebrava a libertação, mas, na vida política, enfrentava turbulência, com cassação de mandato e impedimento da Justiça de assumir a direção do Ibama em São Paulo.

Em busca da reconstrução, Vanessa aceitou convite de Atila para ser secretária de Relações Institucionais, tomando posse no dia 17 de abril. A função era auxiliar o prefeito nos debates com a classe política e a sociedade civil organizada.

A detenção de Atila, no âmbito da Operação Prato Feito, da PF (Polícia Federal), causou espanto. Mas o que de fato surpreendeu foi a permanência do socialista na carceragem da PF em São Paulo e, depois, no presídio em Tremembé, no Interior. Pedido de habeas corpus está há mais de semana na mesa do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

A situação fez com que um governo interino de Alaíde, que era para ser de curtíssima duração, tivesse de atuar. Embora mulher de Leonel Damo, duas vezes prefeito do município, Alaíde nunca se deparou com a missão de governar uma cidade. E, aos 85 anos, Leonel adotou ritmo mais calmo de lidar com o dia a dia – a despeito de manter seu escritório político na região central da cidade. Ou seja, era a chance que Vanessa tinha para mostrar a todos que conduzia com as próprias pernas a vida pública.

O primeiro passo foi retirar da administração os quadros indicados pelo ex-marido. Orosco era para ter sido vice de Atila na eleição de 2016, mas a Justiça Eleitoral o considerou ficha suja por doação ilegal para a campanha de Vanessa dois anos antes. Alaíde foi alçada à vaga de sopetão, porém o pedetista teve espaço considerável na gestão do socialista: três secretarias e dezenas de cargos comissionados.

Numa reunião com os principais aliados de Atila, Vanessa comunicou que iria exonerar todos aqueles próximos do ex-marido. Recebeu a informação que Atila, da carceragem da PF ainda, não queria a desmontagem de seu time. Ela declarou que era questão de honra a demissão dessas figuras. E, assim, Alaíde assinou os desligamentos de Fernando Coppola, o Xuxa (MDB), da Secretaria de Obras, de Anderson Simões da Hurbam (Habitação Popular de Mauá) e de Gilberto João de Oliveira da Pasta de Obras, além de diretores e adjuntos da equipe de Orosco – entre eles José Carlos Orosco Roman, ex-sogro de Vanessa.

Vanessa, então, ganhou status de primeira-ministra do governo. Deixou longe do gabinete da mãe – Alaíde tem despachado da sala que era de Atila – figuras como Israel Aleixo, superintendente da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá), Márcio de Souza, chefe de Gabinete, e Admir Jacomussi (PRP), pai de Atila e presidente da Câmara. A mãe a colocou como secretária de Governo.

A ascensão só foi freada depois de uma ação popular que contesta sua presença no governo de Mauá. Condenada por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, Vanessa não está em pleno gozo de seus direitos políticos. Sob risco de ser multada, a emedebista decidiu antecipar-se a uma decisão judicial e pediu exoneração dos cargos.

De qualquer maneira, esta será uma semana decisiva para o governo interino de Alaíde Damo. Se Atila não receber boas notícias com relação ao habeas corpus que tramita no STF, a tendência é a da formação de uma nova administração e o retorno definitivo dos Damo à Prefeitura de Mauá.

Vanessa não retornou aos contatos da equipe do Diário para comentar sua atuação junto à gestão da mãe.
Por: Raphael Rocha - Diário do Grande ABC