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terça-feira, 29 de maio de 2018
Eu não consegui falar com o Atila, diz Admir
Foto: Marina Brandão/DAGBC
Presidente da Câmara de Mauá, Admir Jacomussi (PRP) está há 20 dias sem ver o filho, o prefeito afastado da cidade, Atila Jacomussi (PSB), preso desde o dia 9 após a Operação Prato Feito, conduzida pela PF (Polícia Federal) e pela CGU (Controladoria-Geral da União) para apurar supostos desvios de recursos em contratos da merenda escolar.

Atila estava na lista de políticos investigados e a Justiça havia autorizado a PF a cumprir mandado de busca e apreensão em sua residência. Os policiais encontraram R$ 87 mil em dinheiro vivo na residência do chefe do Executivo. Também acharam quase R$ 600 mil, em espécie, na casa de João Gaspar (PCdoB), ex-secretário de Governo e um dos principais aliados do prefeito. Para a polícia, o volume de recurso em espécie e sem declaração na residência de ambos configuraria lavagem de dinheiro e corrupção. A Justiça corroborou com a tese e manteve o socialista preso.

“Sei que ele está bem, que tem sido bem tratado lá (na sede da PF em São Paulo, na Lapa). Mas eu mesmo não consegui falar com ele pessoalmente. Eu tenho um marcapasso (dispositivo que regula batimentos cardíacos) e não passei no detector de metais. Também tenho cuidado da minha mulher, que está doente. Tem sido muito difícil esse tempo, mas creio que a Justiça será feita”, afirmou Admir.

Desde que seu filho foi preso, não só a vida pessoal de Admir mudou, mas também toda costura feita em torno de pré-projeto a deputado estadual. Não são raros os que apontam que Admir Jacomussi não será candidato – “respondo sobre isso quase todos os dias” –, porém ele garante que há 90% de chance de ele estar nas urnas em outubro.

“Não posso falar em projeto irreversível, mas minha candidatura está 90% garantida. Até porque tenho a missão de levar para as ruas todo trabalho que o Atila tem feito. E só recebo mensagens de solidariedade. Até porque o Atila tem um trabalho voltado aos mais humildes”, discorreu. “Claro que tem gente que quer destruir, trabalha no quanto pior, melhor. Mas a solidariedade é grande.”

A defesa de Atila aposta em pedido de habeas corpus que está na mesa do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Até o fechamento desta edição, nenhuma posição oficial havia sido tomada pelo magistrado.

ALAÍDE
Admir Jacomussi reconheceu que, nos últimos dias, está distante do gabinete da prefeita interina Alaíde Damo (MDB). “No começo ela me chamou, me consultou. Fizemos uma reunião com secretários mais técnicos para passar a situação da Prefeitura. Eu não me meto onde não sou chamado. Só respondo quando me perguntam. Mas sei que é situação transitória e tudo vai se resolver”. Ele evitou falar sobre um futuro com notícias negativas do filho. “Nesta semana teremos boas novas.”

Aliada do socialista em 2016, Rede fala em impeachment

JÚNIOR CARVALHO
juniorcarvalho@dgabc.com.br


Integrante do governo do prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), até poucos dias atrás, a Rede Sustentabilidade promete ingressar hoje na Câmara com pedido de impeachment do socialista.

O documento será assinado pela presidente do partido na cidade, Georgiana Pires, mas não deverá levar a rubrica do ex-vereador Rogério Santana, principal figura pública do partido e que integrou o secretariado de Atila até o mês passado – foi ouvidor geral. A fala da mandatária evidencia o racha interno no partido. “Ele (Rogério) não faz parte do movimento e não foi convidado”, disse.

A peça a ser apresentada pela Rede se assemelha ao pedido impetrado pelo PT há duas semanas, em que o partido pediu a cassação do socialista alegando que o prefeito quebrou o decoro do cargo e, por isso, deveria perder o mandato com base na lei de responsabilidade - o pedido foi arquivado. “A gente ingressou com o pedido porque entendemos que houve fatos novos, como a decretação da prisão preventiva. Ele mesmo solicitou como medida cautelar o uso de tornozeleira. Se a gente entender que no momento a população clama por Justiça, é inviável ter um prefeito administrando a cidade nessas condições. Seria, no mínimo, constrangedor”, defendeu Georgiana.

No pleito de 2016, o partido lançou Rogério ao Paço, mas ficou em quinto lugar. No segundo turno, a Rede apoiou Atila no confronto direto com o então prefeito Donisete Braga (ex-PT, hoje Pros).
Por: Raphael Rocha - Diário do Grande ABC