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quinta-feira, 12 de abril de 2018
Após tragédia, Prefeitura esquece Jardim Kennedy
Moradores de área onde deslizamento matou garoto de 10 anos, em Mauá, aguardam melhorias. Foto: Denis Maciel/DGABC
Três meses após deslizamento ter tirado a vida de menino de 10 anos no Jardim Kennedy, em Mauá, moradores da área seguem sem o respaldo necessário. Embora tenham sido removidas 11 famílias da área de risco, a comunidade aguarda a concretização de melhorias prometidas pela administração municipal. O receio é que com o término do verão e das fortes chuvas o local permaneça esquecido.

No domingo, a Operação Guarda Chuva, que visa prevenir enchentes e desastres naturais no período do verão será encerrada. O balanço do programa contabiliza a morte de André Naja Almeida dos Santos, 10, e pelo menos 300 famílias – que residem no Jardim Kennedy – assustadas.

Em seguida ao deslizamento da noite de Ano-Novo a atual administração promoveu força-tarefa para identificar as casas construídas em lugares de alto risco e convencer famílias a aderirem ao auxílio-aluguel (no valor de R$ 400 mensais). Até agora 11 famílias deixaram o local. Porém, ao todo, 15 casas ocupavam área perigosa.

Além das vistorias promovidas pela Defesa Civil, a necessidade de obras corretivas foi observada pelo poder público. Na época, o prefeito do município, Atila Jacomussi (PSB), esteve no local e ressaltou que as redes de esgoto danificadas pelo escorregamento de terra poderiam prejudicar a população. “Tivemos a fatalidade com o escorregamento de terra, mas não podemos ter com possíveis doenças”, comentou o chefe do Executivo na época. Entretanto, segundo moradores, até agora nada foi feito.

“Na hora falam de fazer isso e aquilo, mas só falam mesmo”, diz a dona de casa Valquiria Ramos de Assis, 39, que mora em imóvel à beira do barranco onde houve o deslizamento. “Até uns 15 dias depois do que aconteceu tinha gente aqui todo dia. Depois parou, e os restos (das casas) ficaram aí”, acrescenta.

A Prefeitura de Mauá foi procurada pelo Diário, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

TRAGÉDIA DE ANO-NOVO

Às 6h do primeiro dia do ano houve desmoronamento de uma residência devido a um deslizamento de terra no Jardim Kennedy. Os escombros atingiram o barraco onde André e o irmão assistiam a desenho animado. Apesar de ter sido socorrido pelos vizinhos com vida, o garoto não resistiu aos ferimentos e morreu após parada cardiorrespiratória antes mesmo de os bombeiros chegaram ao local, uma hora depois do ocorrido.

Proprietária do primeiro barraco que desabou, Carina Estela Ramos, 29, teve sua casa, onde morava com seu marido e cinco filhos, completamente destruída. Após a tragédia, passou a receber auxílio-aluguel e doações de móveis, o que proporcionou a mudança para um cortiço, no mesmo bairro.
Por: Juliana Stern - Especial para o Diário