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segunda-feira, 2 de abril de 2018
Mulher de Alex é sócia em clínica ligada a secretário de Saúde de Mauá
Doações eleitorais mostram elo entre deputado e Ricardo Burdelis, que já foi indicado na Anvisa. Foto: Claudinei Plaza/DGABC
Mulher do deputado federal Alex Manente (PPS), de São Bernardo, Mariana Carvalho Gonzalez Manente é sócia de clínica de nefrologia instalada em área da Santa Casa de Mauá e que é ligada ao secretário de Saúde mauaense, Ricardo Burdelis.

Como mostrou o Diário na semana passada, o CTN (Centro de Tratamento em Nefrologia) pertence a Erika Betti Mariani Burdelis, mulher de Ricardo. Embora não haja ilegalidades, em tese, nessa situação – o consultório e a Santa Casa de Mauá são estabelecimentos privados –, para advogados consultados pelo Diário pode haver desrespeito ao princípio constitucional da moralidade no poder público. A Santa Casa aluga espaço para abrigar o consultório ligado a Burdelis e recebe recursos públicos que são assinados pelo próprio secretário. Os repasses se referem a contrapartidas do Paço mauaense pelos atendimentos que a entidade faz a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), em sua maioria gestantes.

Doações eleitorais feitas para a campanha de Alex Manente no pleito de 2016, inclusive, reforçam o elo entre a família Burdelis e o parlamentar. Naquele ano, quando o popular-socialista disputou a Prefeitura de São Bernardo – foi derrotado no segundo turno pelo atual prefeito Orlando Morando (PSDB) –, tanto Ricardo Burdelis quanto sua mulher contribuíram, como pessoas físicas, para a campanha de Alex.

Ao todo, o casal Burdelis depositou R$ 125 mil no projeto de Alex rumo ao Paço. Erika foi a que mais colaborou: foram R$ 110 mil, divididos em três depósitos (a primeira no valor de R$ 10 mil e as duas últimas, de R$ 50 mil cada). Já Ricardo Burdelis contribuiu uma única vez, com R$ 15 mil.

INDICAÇÕES
Em março de 2017, cerca de cinco meses após o pleito municipal, Ricardo Burdelis foi indicado para o posto de diretor adjunto do departamento de controle e monitoramento sanitários da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), cujo titular é o ex-prefeito de São Bernardo William Dib, que apoiou Alex na eleição local.

Também no ano passado, o PPS, presidido em âmbito estadual por Alex até meados de novembro, ingressou no governo do prefeito Atila Jacomussi (PSB), após acordo entre Alex e o prefeito. A aliança rendeu o comando da Secretaria de Administração e Modernização do Paço de Mauá para o PPS. O indicado de Alex foi André Sicco, ex-presidente do PPS de São Bernardo e braço direito do parlamentar.

Alex negou irregularidades nos fatos e disse que não foi responsável pela indicação de Burdelis na Anvisa e em Mauá. “Não há nenhuma irregularidade, nem nas doações nem no fato de a minha mulher ser sócia (da mulher de Burdelis) na clínica. A indicação do secretário em Mauá é feita pelo prefeito, não por mim. O Ricardo é um excelente profissional, fato que o levou para a Anvisa. Ele é meu amigo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra”, justificou o parlamentar. Assim como o popular-socialista, Ricardo Burdelis e o chefe do Paço mauaense também refutaram ilegalidades. O secretário de Saúde, inclusive, informou que a mulher não é mais sócia do CTN, embora seu nome ainda conste no cadastro da Junta Comercial paulista.
Por: Júnior Carvalho - Diário do Grande ABC