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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Grande ABC tem média de três roubos de celulares por hora
Crimes ocorrem, em sua maioria, à noite e têm pedestres como alvos principais. Foto: Nario Barbosa/DGABC
Andar com o celular à mostra é uma conduta cada vez mais arriscada em espaços públicos do Grande ABC. Somente em 2017, foram registradas 29.495 ocorrências de roubos de equipamentos eletrônicos na região, média de, pelo menos, três casos a cada hora.

Os dados obtidos pelo Diário por meio da ferramenta SSP (Secretaria da Segurança Pública) Transparência, que disponibiliza o histórico de boletins de ocorrências de todo o Estado de São Paulo, mostram que os roubos de celulares na região seguem padrão: ocorrem, em sua maioria, à noite (40%), tendo como alvo principal pedestres vulneráveis (50,84), ou seja, aqueles que estão sozinhos em vias desertas ou que estão com o celular visível (veja gráfico ao lado).

“O ladrão não vai roubar aquilo que não está à mostra. Além disso, o celular é um objetivo fácil para esconder, portanto, se a pessoa bobear, com certeza um ladrão irá levar o equipamento eletrônico”, frisa o especialista em Segurança pública e privada, Jorge Lordello.

Embora a maior incidência do crime apresente característica específica, especialistas alertam: criminosos têm adotado postura cada vez mais ousada durante a prática do roubo do equipamento. Na região, por exemplo, o perigo, conforme já mostrado pelo Diário, tem feito trabalhadores mudarem suas rotinas durante o amanhecer do dia. E a precaução não é para menos. “Pessoas que vão trabalhar por volta das 5h, 7h viraram alvos fáceis, pois geralmente estão em pontos de ônibus sozinhas e, com certeza, têm um celular na mão”, relata Lordello.

Morador de Santo André, o ajudante geral Pedro Damasceno, 58 anos, entrou para essa estatística há cerca de dois meses. “Senti impotência na hora. Nunca imaginei que iria ser roubado antes de o sol nascer. É revoltante saber que ladrões acordam cedo para roubar nós, trabalhadores”, desabafa.

Na análise do ex-delegado de Polícia do Estado de São Paulo, David Pimentel de Siena, atualmente docente de Direito Penal da USCS ( Universidade Municipal de São Caetano), a mudança do perfil do crime tem justificativa: a valorização do celular. “Hoje, qualquer pessoa, seja da classe ‘A’ ou ‘D’ tem celular. Pior do que isso é que hoje existem pessoas que alimentam o mercado ilegal, ou seja, compram celulares sem nota fiscal em ‘feiras do rolo’. Acabou que o equipamento é dinheiro certo para os criminosos”, avalia. Em Diadema, moradores assumem saber da prática ilegal. “Em site ou até mesmo no Centro você encontra celulares muito abaixo do preço sendo vendidos na rua”, afirma o estudante Igor Henrique Lopes, 23.

Na tentativa de reverter este cenário, a Polícia Militar diz desenvolver diversas operações na região, principalmente em áreas com grande concentração e fluxo de pessoas, onde há a maior incidência de crimes de roubo e furto de celulares. Segundo a corporação, “as operações contam com a Rocam (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas), que tem por objetivo fiscalizar os motociclistas, uma vez que é o principal meio de transporte utilizado pelos infratores que praticam tal delito.”

A SSP, por sua vez, afirma que a corporação analisa mensalmente os locais que apresentam altos índices e organiza, juntamente com as unidades policiais subordinadas, operações visando a repressão dos crimes. Exemplo disso é a Operação Mobile realizada em Diadema todo mês a fim de averiguar a procedência de celulares apreendidos e apuração dos crimes de receptação.

Especialistas dão dicas de prevenção contra o crime
Para especialistas, moradores da região devem redobrar a atenção ao utilizar celulares em espaços públicos, tendo em vista o alto índice de roubo dos equipamentos. “Na prática, 95% das mensagens que as pessoas recebem são lixos orgânicos. São coisas que não precisam ser vistas naquele exato momento em locais públicos e vulneráveis”, explica o especialista em Segurança Pública e Privada, Jorge Lordello. Pensando nisso, ele orienta. “A melhor alternativa é buscar pontos com iluminação boa e com mais pessoas para evitar o assalto. Além disso, sempre andar atento ao que está acontecendo ao seu redor”, enfatiza.

Para o ex-delegado de Polícia do Estado de São Paulo, David Pimentel de Siena, atualmente docente de Direito Penal da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), moradores devem evitar também andar com o equipamento em bolsos, vísivel para outras pessoas. “O ideal é sempre levar o celular dentro da bolsa, de preferência fora do alcance das pessoas.”

O especialista cita ainda ferramentas para rastrear o celular. No entanto, neste caso, o aplicativo deve ser utilizado somente durante a investigação policial. “As pessoas não podem tentar buscar o celular sozinha, pois estarão em risco. Nesse caso, o certo é acionar o 190”, recomenda Siena.

No caso de roubo, usuários podem fazer a inclusão do Imei – número de identificação dos celulares – nos registros dos boletins de ocorrência. Além de permitir o bloqueio das funções dos aparelhos, a ação resulta na criação de banco de dados que auxilia a polícia a apreender os telefones subtraídos.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) disponibiliza em seu site a possibilidade de o cidadão consultar se o Imei do aparelho que está adquirindo possui envolvimento em ato ilícito.
Por: Daniel Macário - Diário Online