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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Imprudência e falta de fiscalização matam duas pessoas na Imigrantes
Empresário é preso depois de trafegar em alta velocidade e praticar suposto racha. Foto: Claudinei Plaza/DGABC
A imprudência ao volante e a falta de fiscalização por parte de agentes de Segurança causaram, na noite de terça-feira, mais uma tragédia na região. Desta vez, a combinação deixou duas vítimas fatais e outras seis pessoas feridas, após colisão entre dois veículos na Rodovia dos Imigrantes, em São Bernardo.

O acidente ocorreu por volta das 21h, no km 29 da rodovia, sentido São Paulo. No local, um veículo Ford EcoSport – que levava oito passageiros, sendo quatro crianças – foi arremessado para o canteiro lateral após ser atingido por uma Mercedes Benz que, no momento da colisão, segundo testemunhas, disputava racha com um Chevrolet Camaro, este último automóvel ainda não localizado pela Polícia Civil.

O empresário André Veloso Micheletti, 50 anos, que conduzia o veículo de luxo, foi detido ainda no local do acidente e, ontem à tarde, durante audiência de custódia realizada no Fórum de São Bernardo, teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Edson Nakamatu e foi transferido para o CDP (Centro de Detenção Provisória) da cidade.

“Há elementos suficientes de que o investigado teria assumido o risco de produzir o resultado fatal, pois tudo indica que desenvolvia velocidade incompatível e muito acima do permitido no local de intenso tráfego”, justifica, em sua decisão, o magistrado.

Micheletti que estava com a sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação) cassada desde 2016 após ter acumulado 20 pontos, segundo testemunhas, estaria dirigindo a 200 km/h. Porém, em nenhum momento chegou a ser parado por policiais rodoviários por trafegar acima da velocidade máxima permitida para a rodovia – de 110 km/h – e também por praticar racha, ato que, segundo a legislação brasileira, pode acarretar em pena de cinco a dez anos de prisão.

O condutor da Mercedes pode ser condenado a até 45 anos de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado e direção de veículo automotor com habilitação cassada. A pena pode aumentar, caso seja comprovada a disputa de racha.

Passageiras do veículo atingido, Vitória Alves Furlaneto Bispo, 21, e Juliana do Carmo Gamarra, 40, não resistiram aos ferimentos da colisão e morreram logo após o acidente. As duas retornavam com as famílias do Litoral paulista, onde passaram férias. Elas estavam no banco traseiro do EcoSport com quatro crianças – com idade entre 1 e 5 anos – no colo, ato considerado gravíssimo pelo CTB (Código de Trânsito Brasileiro) e sujeito a multa de R$ 293,47.

De acordo com o delegado titular do 3º DP (Assunção) de São Bernardo, Rui Diogo da Silva, para agravar a situação, o motorista do EcoSport, André Jardim Gonçalves, 38, marido de uma das vítimas, também estava com a CNH cassada desde 2016. “Na verdade foi uma série de imprudências que resultaram num trágico episódio.”

Além das duas vítimas fatais, outras seis pessoas ficaram feridas, sendo que cinco seguem internadas. Duas crianças, de 1 e 2 anos, tiveram ferimentos graves: uma no fígado e outra no pulmão. Outra, de 3 anos, fraturou o fêmur. A mais velha, 5, teve fraturas leves. Gonçalves teve traumatismo craniano e Wesley Júnior Gomes Bispo, 23, marido de Vitória, e pai de um dos menores, já teve alta médica.

Responsável pela fiscalização da rodovia, o que na prática poderia ter prevenido o acidente, a Polícia Militar Rodoviária não se manifestou sobre o acidente até o fechamento desta edição.

A Ecovias, por sua vez, concessionária responsável pelo SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), que detém um dos pedágios mais caros do País – R$ 25,60 –, destaca que realiza série de ações para conscientização dos motoristas. No entanto, “fiscalizar e punir infratores de trânsito não é uma atividade que possa ser exercida pela concessionária, que não tem autoridade para tal”.

(Colaborou Bianca Barbosa)

Vítimas trabalhavam juntas como feirantes

Companheiras de trabalho em uma barraca de feira há poucos meses, Vitória Alves Furlaneto Bispo, 21 anos, e Juliana do Carmo Gamarra, 40, tinham expectativa de um 2018 melhor. Juntas e com seus respectivos maridos e filhos, decidiram curtir os primeiros dias de janeiro no Litoral paulista.

“Elas se tornaram boas amigas. Minha sobrinha tinha acabado de iniciar trabalho com a Juliana. Infelizmente aconteceu essa tragédia e acabou com tudo”, lamenta o aposentado Eduardo Furlaneto, 65, tio de Vitória.

O corpo da jovem, de Suzano, foi velado na tarde de ontem no Cemitério de Camilópolis, em Santo André, sob forte comoção da família. “A gente vai lembrar da sua dedicação. Ela era muito esforçada. No fundo, só queremos Justiça, pois ninguém vai trazer ela de volta”, disse um primo, que não quis se identificar.

No fim da tarde, a mãe de Vitória chegou a ir ao velório, porém, bastante abalada com a situação, deixou o local 30 minutos depois da chegada, carregada por familiares.

O marido de Vitória, Wesley Júnior Gomes Bispo, 23, acompanha o filho de 1 ano e 6 meses, que está internado em unidade de Saúde da Capital.

O sepultamento da jovem está marcado para as 10h de hoje, no mesmo local.

Até o fechamento desta edição, ainda não havia informações sobre horário e local do sepultamento de Juliana do Carmo Gamarra, moradora de São Bernardo.
Por: Daniel Macário - Diário do Grande ABC