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terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Estado avalia que dará para nadar e pescar na Billings
Governador deu início às obras do programa de coleta e tratamento de esgoto na represa. Foto: Nario Barbosa/DGABC
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que o processo de despoluição iniciado na Represa Billings, em São Bernardo, transformará o local em “grande fonte de turismo”. “(As intervenções vão) Torná-la grande centro de entretenimento e lazer.” No ato, às margens do manancial, Alckmin assinou, ao lado do prefeito Orlando Morando (PSDB), a ordem de serviço que autoriza pontapé inaugural à primeira fase das obras do programa Pró-Billings, que visa coletar e tratar 100% do esgoto da região do Grande Alvarenga e outros bairros do entorno. Titular da Pasta de Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga falou que, com a ação, dará para voltar a “nadar, pescar e ter divertimento” na represa – meta é concluir primeira e segunda etapas em 2020.

Na totalidade, o investimento previsto é de R$ 197,4 milhões – gerando 1.200 empregos diretos e indiretos –, o que corresponde a R$ 89,4 milhões na fase inicial e R$ 108 milhões da segunda etapa. “Neste mês já será licitada a segunda etapa, iniciando dentro de alguns meses (possivelmente em julho). Ambas vão terminar juntas. São 30 meses de obras”, frisou o governador.

Os recursos são provenientes de financiamento da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), da Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Serão, de acordo com a empresa paulista, retirados e tratados mais de 1 bilhão de litros de esgoto por mês.

O projeto envolve a troca de tubulações e bombas, além da construção de 34 estações elevatórias de esgoto de pequeno porte para bombeamento, duas de médio porte, 8.000 ligações domiciliares e 9,5 quilômetros de coletores-tronco, instalados para transporte dos dejetos até o tratamento na ETE ABC (Estação de Tratamento de Esgoto do ABC), na divisa de São Caetano com a Capital. Essa proposta deve, conforme a projeção da Sabesp, beneficiar cerca de 83,3 mil imóveis, em diversos bairros de São Bernardo, contemplando, ao fim de todo esse processo, daqui dois anos, 250 mil pessoas. “Vamos tratar praticamente um terço de São Bernardo.”

Em dezembro, Prefeitura e a Sabesp já haviam assinado contrato e convênio, contendo aval para começo da primeira fase, prometida desde 2010. Na realidade, o Paço busca financiamento neste sentido antes mesmo da venda do DAE (Departamento de Água e Esgoto) de São Bernardo para o Estado, em 2003. O prefeito alegou que acompanha a situação desde quando era deputado. “Não existia sintonia entre Prefeitura e Estado. Faltou linha de prioridade”, disse. Durante o evento, ele citou que, com a mudança de poder na cidade, o projeto ficou estagnado, em referência ao governo Luiz Marinho (PT, 2009-2016). “(Quando assumimos) Sentamos com a equipe jurídica. A conta da Sabesp estava atrasada. Se quer construir relação de respeito, tem que ser das duas partes, pois assim dá para exigir aquilo que é de direito.”

Morando assinou também a cessão de terreno da Prefeitura, no entorno da Billings, onde será a estação elevatória para transpor o esgoto para a ETE. À medida em que a rede for instalada, Paço e Sabesp irão notificar moradores de imóveis que não se conectarem ao sistema. Caso contrário, haverá multa ao munícipe, com valor ainda não estipulado – não há cobrança na primeira ligação. “Tenho certeza, no entanto, que o clamor para ter esgoto coletado e tratado é muito grande, mas, pontualmente, se alguém insistir, poderá, inclusive, ser multado na reincidência da notificação, caso não queira cumprir a determinação.”

Série de reportagens publicadas pelo Diário sobre os efeitos do desmatamento e ocupação irregular no entorno da Represa Billings, em setembro de 2017, alerta sobre os efeitos do despejo irregular de esgoto no manancial. Um dos problemas verificados é a eutrofização da água, quando algas surgem a partir do excesso de esgoto descartado e muda a cor do manancial.
Por: Fabio Martins - Diário do Grande ABC