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segunda-feira, 9 de outubro de 2017
Cidades do ABC tentam desatar o nó do transporte coletivo
Realidade nas grandes cidades do mundo, o transporte coletivo ainda está longe de ser uma válvula de escape para caos do trânsito no ABC, que já concentra 2,7 milhões de habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ao mesmo tempo, o Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) constata que as sete cidades já contam 1,8 milhão de veículos de todas as categorias, ante a 1,1 milhão em 2006, aumento de 64,21% em pouco mais de uma década.

O crescimento de veículos é acompanhado pela carência do ABC no transporte público. A região não tem linhas metroviárias e o único corredor de ônibus é o ABD, inaugurado em 1988. Os coletivos da EMTU (Empresas Metropolitanas de Transportes Urbanos) nas sete cidades contam com faixa etária média de 8,5 anos, a maior da Grande São Paulo, e a licitação pelas concessões das linhas travam desde 2006. O resultado dessa soma é simples: mais carros, maior o trânsito e menos passageiros nos ônibus.

Enquanto as vias públicas da região estão cada vez mais congestionadas, ocorre a queda no número de passageiros nos ônibus. Santo André não foge à regra e segue registrando cada vez menos viagens por passageiros nas linhas municipais, ao passar de 64,3 milhões de conduções por usuários em 2012, quando a passagem era R$ 2,90, para 57,3 milhões em 2016, com a tarifa a R$ 3,80.

Em setembro, o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), obteve autorização da Secretaria do Tesouro Nacional para liberação do pacote de US$ 25 milhões – cotados em R$ 79,8 milhões – do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para obras viárias e mais dois corredores de ônibus. Pelo acordo, o governo andreense despenderá contrapartida igual, assim somando US$ 50 milhões – R$ 159,6 milhões.

Entretanto, a secretaria adjunta de Mobilidade Urbana e coordenadora do GT (Grupo de Trabalho) Mobilidade do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, Andrea Brisida (foto), ponderou que as cidades não têm recursos financeiros que correspondam ao aumento de veículos. “Não há sistema viário que dê conta desse crescimento da frota de automóveis. Então o nosso investimento é focado em transporte coletivo para incentivar que os usuários deixem os automóveis”, afirma.

Em São Bernardo, o prefeito Orlando Morando (PSDB) abriu licitação pública internacional para construção de 18,95 km dos corredores São Pedro, Rotary, Castelo Branco e Galvão Bueno, além da construção do Terminal Batistini. As obras terão custos de R$ 197,8 milhões, totalidade proveniente do BID. O governo espera iniciar os trabalhos no fim deste ano e o prazo para conclusão de 24 meses.

Resta saber, porém, se essas medidas serão suficientes para convencer os motoristas a trocarem os carros pelos ônibus, muitos deles operando sem a devida manutenção e com reclamações de intervalos longos. Tal cenário se agrava pelo atraso para o início das obras da Linha 18 do monotrilho, que ligará o ABC ao sistema metroferroviário de São Paulo, por conta de entraves na liberação de recursos da União para desapropriação.

Por ora, a população do ABC ainda segue rumo a um verdadeiro calvário pelas ruas das sete cidades.
Por: Bruno Coelho - Repórter Diário