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terça-feira, 11 de abril de 2017
Dois réus por homicídio em balada vão a julgamento
Foto: Denis Maciel/DGABC
“Nunca mais vamos ter uma alegria por completo. Tiraram isso da gente.” As palavras são de Maria José Mendes Caetano, 57 anos, mãe de Rafael Mendes Caetano, 23, morto em outubro de 2014 ao ser jogado da parte superior de uma casa noturna na Avenida Portugal, em Mauá, por policiais militares. Atualmente, a família tem expectativa de Justiça para o primeiro julgamento do caso, marcado para amanhã, no Fórum da cidade.

Os réus Rudinei Dias Morini Júnior e Fábio Felix de Abreu serão julgados pelo homicídio do jovem por júri popular, em um dos processos. O inquérito policial que indiciou cinco pessoas foi desmembrado em três processos, e em todos foi decretado segredo de Justiça. Duas audiências preliminares foram realizadas em 2015. “Deus vem sendo o meu refúgio e a minha fortaleza. A minha expectativa é a de que a Justiça seja feita, porém, sei que nada vai trazer o meu filho de volta”, afirmou a mãe.

Desde a tragédia, a vida da família não foi mais a mesma. Maria se mudou para outro Estado, onde vive com o marido, José Fernando, 54, padrasto dos filhos. Além de Rafael, ela é mãe de Thiago Mendes Caetano, 30, e de mais seis filhas adotivas. “Tenho altos e baixos. Tem dias que não quero sair de casa. Eu era comerciante, mas não consegui reabrir minha loja. Todas as caixas de mercadorias estão do mesmo jeito”, lamenta Maria.

Ela, que também trabalhava em uma entidade assistencial em Santo André, passou a noite da morte do filho recolhendo brinquedos para crianças carentes. Ela relatou se lembrar dos momentos nitidamente. “Cheguei em casa depois de trabalhar muito e me lembro de perguntar onde seria que o Rafael estaria. Ele tinha preparado o almoço e deixou strogonoff guardado para a gente. Tinha trabalhado tanto que acabei dormindo. Mais tarde veio a ligação.”

Rafael estava com mais dois amigos em casa noturna comemorando novo emprego. Ele começou a ser agredido pelo grupo de policiais militares depois de tê-los chamado de ‘parça’ e oferecido bebida. “Ele era assim com todo mundo. Muito alegre, e gostava de fazer novas amizades. Acredito que este julgamento é o primeiro passo para a Justiça. Espero que ele seja concluído com a permanência dos réus na prisão. Também queremos que todos os envolvidos sejam julgados”, afirmou o irmão, Thiago.

A um dia de conhecer a sentença para os envolvidos na morte de Rafael, a família é unânime em responder que acredita que o grupo sempre teve a intenção de matar. “Chegaram a dizer para os amigos do meu irmão que ele ia subir. Foi muito rápida a agressão, tanto que ele já caiu desacordado”, disse Thiago.

“Não quero nunca encontrar com eles. Não tenho estrutura emocional para olhar para o rosto deles. Eu também não consegui ver o vídeo (imagens da casa noturna mostram o crime). Eles devem pedir perdão para Deus”, disse a mãe, em lágrimas. Ela deve esperar o veredicto do lado de fora.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) do Estado informou que por conta das investigações referentes à morte de Rafael, um cabo e dois soldados da PM (Polícia Militar) foram expulsos da corporação, quatro sofreram sanções administrativas e um teve o caso arquivado.

“O que peço todas as noites é que o Senhor me ajude a conviver com a ausência do meu filho.”
Por: Yara Ferraz - Diário do Grande ABC