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segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Quando um avião caiu no Zaíra 4
Muito antes do falatório sobre a construção de um aeroporto em Mauá, avião já fazia parte da história da cidade. Basta percorrer o Jardim Zaíra 4 e perguntar pela Rua Marcos Martins da Silva. Espere aí, rua qual?

“Ah, vocês estão falando da Rua do Aeroporto, né?”, tratou de corrigir um senhor que andava pelo bairro.

Apesar de não ter sido um pouso propriamente dito, o apelido carinhoso pegou depois que um monomotor com quatro pessoas caiu naquele endereço, isso há 17 anos. Havia três mulheres mais o piloto. Todos da mesma família. Muitos costumam chamar o quarteirão do acidente de bairro Aeroporto.

O acontecimento marcou quem por ali vivia, como a dona-de-casa Josefa Sabino de Souza e Silva, de 68 anos. Sua descrição, rica em detalhes, deixa claro que o fato marcou, como só as tragédias marcam.

Com um jeito manso e fala simples, dona Josefa ainda hoje é capaz de reproduzir a posição em que o corpo de uma das moças ficou.

E não é para menos. A aeronave, depois de invadir o bairro, veio parar no terreno de sua casa. Corpos e destroços ficaram espalhados, lembra. “Um ano depois, a mãe do piloto veio aqui, queria construir uma capela para o filho. Como não conseguiu, deixou apenas flores”, conta dona Josefa. “Ela até avistou um sapato no chão e gritou: ‘É do meu filho!’, mas eu sabia que não era, eu lembro que ele estava com sapato de carmurça preta”, mais uma prova da forte lembrança.

Para quem viu assim, tão de perto um avião, terminal aéreo perto de casa nem pensar. “Queriam construir aeroporto em Mauá? Deus que me livre!”, exclama a costureira Tereza Ferreira, 44 anos. E o pensamento por ali é unânime: aeroporto, só no apelido.
Por: Isis Mastromano Correia - Especial para o Diário