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quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Guardas espancam e urinam em camelô
Quando Antônio Ribeiro dos Santos foi socorrido, debaixo do Viaduto da Saudade, em Mauá, sofria um ataque epiléptico, tinha hematomas pelo corpo e estava todo molhado. O camelô de 30 anos conta que, antes de acabar no Hospital Nardini, foi espancado por quase duas horas por três guardas civis municipais e um fiscal. No fim da sessão de tortura dentro da Coordenadoria de Segurança Alimentar da Prefeitura, os homens teriam desabotoado as calças e urinado em cima dele.

O episódio ocorreu no feriado de Corpus Christi, 6 de junho. Naquela noite fria, Antônio, que costuma vender sorvetes, resolveu comprar algumas latas de cerveja, colocar na carriola e tentar fazer um pouco de dinheiro no Centro de Mauá. Foi surpreendido por uma Kombi, da fiscalização da cidade.

A porta do veículo se abriu e eles foram descendo do carro. “Ele correu atrás de mim, me puxou pelo blusão e logo foi me jogando no chão. Eu disse: ‘Me solte que eu vou embora, encostei aqui para vender. Não deu certo, eu vou embora’”, relata o camelô. Chegaram os demais, lembra Antônio, com seus cacetetes.

O vendedor ambulante conta que, enquanto apanhava, a população mandava os agressores pararem. “Me bateram em todo lugar: na cabeça, nas costas e depois me algemaram.”

=> Espaço Público
Depois da surra, os quatro teriam arrastado Antônio para dentro da Kombi. Afirma ter sido levado para a Coordenadoria de Segurança Alimentar, debaixo do Viaduto da Saudade, na região central da cidade.

“Era um lugar bem escuro, onde as pessoas passavam na rua e não me viam. Depois de me baterem mais, um deles falou: ‘Joga uma água na cara dele’. Aí eu vi que não era água, era o cara de calça aberta, mijando em cima de mim”, relembra.

A carteira dele, com R$ 22, desapareceu. Ele a encontrou dias depois, na mesma Coordenadoria de Segurança Alimentar, vazia. Foi ao local para tentar recuperar o material apreendido. Analfabeto, assinou um auto de apreensão dos produtos. Voltou sem nada.

Sem carriola, Antônio trabalha com o carrinho emprestado por uma sorveteria. Vende picolés a R$ 0,70 cada para funcionários das indústrias do bairro Sertãozinho. É solteiro, mas ajuda no orçamento familiar. Agora, pretende processar a Prefeitura.
Por: Artur Rodrigues - Diário do Grande ABC / Foto: Thiago Benedetti